
Segundo Sonnino, o célebre "morador" da Bastilha, prisão que teve grande importância durante a Revolução Francesa, teria sido preso em 1669 e ficou encarcerado por 30 anos, tendo falecido em 1703. Ao contrário do que foi exposto nos filmes e que se baseava nas teorias do escritor Alexandre Dumas e do filósofo Voltaire, o "Homem da Máscara de Ferro" não era o irmão gêmeo do rei Louis XIV e nem usava uma máscara de ferro.
Na verdade, o famoso prisioneiro da Bastilha se chamava Eustache Dauger. "Os historiadores sempre concordaram que esse era o nome do prisioneiro e que ele, ocasionalmente, usava uma máscara de veludo, e não de ferro. Além disso, era sabido que ele trabalhava como criado pessoal. Mas, até agora, não se sabia de quem ele era criado e por qual motivo teria ficado preso por 30 anos", diz Paul Sonnino, em entrevista ao portal Live Science.
Após analisar documentos históricos, correspondências direcionadas ao prisioneiro e outros apectos da sociedade francesa do século XVII, o professor da Universidade da Califórnia descobriu que Eustache Dauger era criado particular do cardeal Mazarin, tesoureiro e principal ministro da França durante o governo de Louis XIV. Segundo o historiador, Mazarin acumulou uma riqueza exorbitante durante sua vida, e o criado teria descoberto que grande parte desse dinheiro era fruto de roubo.
"Fui capaz de determinar que Mazarin robou parte de sua riqueza de antigos reis da Inglaterra. Dauger deve ter descoberto e, infelizmente, denunciado no momento errado. Quando foi preso, disseram para ele que não poderia revelar sua identidade para ninguém, sob a ameaça de ser morto imediatamente", revela Sonnino ao Live Science. Por isso, era necessário o uso da máscara de veludo quando ele se reunia com alguém de fora da prisão.