
Apoiado na Lei 12.305 de 2010, conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos, Machado realizou a pesquisa por meio da coleta de restos de construções de diferentes partes da cidade de Piracicaba, que fica no interior de São Paulo. "Parte dos resíduos é triturada e utilizada em obras de infraestrutura, como construção e recuperação de estradas, mas, infelizmente, somente uma pequena fração é direcionada a esse fim", diz o pesquisador da Esalq. O estudo foi direcionado justamente para o restante dos materiais, formados por grãos muito pequenos. "Pelos aspectos físicos e químicos, tornam-se mais favoráveis ao uso em plantio", explica Marcos Machado.
Além das sobras da contrução civil, também fazem parte do estudo de reaproveitamento de resíduos que contêm gesso – um insumo importante na agricultura e que colabora com a proposta do projeto. "Nos aterros, os resíduos de construção que apresentam gesso são uma preocupação ambiental, pois nestes materiais há substâncias [sulfatos] que podem atingir recursos hídricos ou formar outras substâncias tóxicas", explica o pesquisador.
Quando triturados, os resíduos geram os chamados "agregados": materiais que apresentam características minerais semelhantes aos de solos naturais, diferenciando-se apenas em relação à presença ou não de nutrientes, e na capacidade de retenção de água. "Antes de qualquer teste, avalio cada material, as substâncias contidas em cada amostra, a concentração de elementos tóxicos; verifico possíveis efeitos sobre organismos vivos e meio ambiente e avalio as propriedades agronômicas, a partir das quais consigo definir as correções necessárias dos materiais para serem eficientes no desenvolvimento de plantas", esclarece Marcos Machado. Somente após todos esses procedimentos se consegue apontar a eficácia dos resíduos no suporte e nutrição das plantas.
A pesquisa demonstrou que é possível reutilizar e reciclar os resíduos da construção civil para o cultivo de plantas. O pesquisador da USP usou o material para ajudar no crescimento de uma gramínea conhecida como grama esmeralda. O resultado foi positivo e o vegetal reagiu muito bem ao substrato "artificial", crescendo da mesma forma que faria num solo tradicional, rico em nutrientes.
(com Agência USP)