
De acordo com Astrid Arap, da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, além de tratar a ansiedade, é importante que a pessoa busque ajuda de um cirurgião-dentista para cuidar do bruxismo, porque, dependendo da frequência e da intensidade da dor, o problema pode resultar em sérios danos à mastigação, além de causar enxaqueca, insônia e até mesmo fratura dental. "Além da dor, existem outros sinais de bruxismo, como o tipo de desgaste do esmalte dental, excesso de sensibilidade nos dentes, estalos da articulação temporomandibular [ATM]. O cirurgião-dentista deverá avaliar, também, se o paciente tem hábito de roer unha, morder tampa de caneta ou mascar chiclete, porque essas atitudes podem estar relacionadas a um comportamento ansioso", esclarece a especialista.
Um estudo israelense, realizado na Universidade de Tel Aviv, revelou que o bruxismo é um dos problemas que afetam a vida de pessoas normalmente ansiosas. Os pesquisadores avaliaram 75 homens e mulheres na casa dos 30 anos. Quarenta deles tinham algum nível de fobia social e os outros 35 não tinham nada. Todos passaram por exames psiquiátricos e odontológicos – buscando identificar hábitos como roer unha, mascar chicletes, estalar a mandíbula etc. Sintomas de bruxismo durante o dia foram identificados em 42,5% das pessoas no primeiro grupo, contra 3% no segundo.
Astrid Arap diz que existem diversos tratamentos voltados para o bruxismo e seus efeitos. O uso de placa miorrelaxante durante o sono, associado à fisioterapia, constitui o tratamento principal para o paciente com bruxismo sintomático. Já a toxina botulínica é uma das terapias mais atuais para tratar esse problema. Pode ser aplicada nos pacientes que não se adaptam ao uso da placa ou associada a ela. Apesar de ser um método mais invasivo do que o uso da placa, a toxina é usada para diminuir a contração muscular e seu efeito é reversível. "A toxina botulínica é um complexo proteico purificado, obtido a partir de determinada bactéria que bloqueia a liberação da acetilcolina e faz com que os músculos não recebam estímulos para contrair. Apesar de seu uso ser relativamente novo entre os cirurgiões-dentistas, vem ganhando cada vez mais adeptos na medida em que seus benefícios se tornam mais conhecidos", comenta a especialista.