
No Brasil ao menos 85 das espécies de plantas cultivadas para uso na alimentação humana e na produção de fibras dependem da polinização animal. A estimativa é que a polinização feita por insetos, principalmente abelhas, corresponda a US$ 12 bilhões (cerca de R$ 27 bi) de toda a produção agrícola brasileira. O valor anual das safras globais que precisam do "trabalho" dos polinizadores é estimado em US$ 577 bilhões (R$ 1,3 trilhão).
Apesar do importante papel desempenhado por esses animais, mais de 40% dos polinizadores invertebrados – e 16% dos vertebrados – estão em risco de extinção em todo o planeta. A perda de polinizadores pode causar uma crise na produção de alimentos e comprometer a segurança alimentar de acordo com Vera Lúcia Fonseca, professora da Universidade São Paulo (USP). "A preservação da biodiversidade para as gerações futuras é um problema de todos nós", comenta a pesquisadora.
O uso inadequado de agrotóxicos é uma das principais ameaças à polinização, de acordo com a maior parte dos debatedores no Senado. Outros problemas que põe em risco abelhas e outro insetos são perda dos habitats naturais em decorrência do aumento da fronteira agrícola; desmatamentos; parasitas que atacam as colônias e mudanças climáticas.
Para Paula Arigoni, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, as empresas têm incentivado a adoção de práticas e de regras de aplicação de defensivo agrícola mais seguras para as abelhas e outros animais. Ela argumenta que tanto a polinização quanto o emprego de defensivos agrícolas contribuem para a produtividade no campo e a qualidade de consumo dos frutos.
Por sua vez, José Soares Brito, presidente da Confederação Brasileira de Apicultura, adverte que o uso intensivo de agrotóxicos está dizimando as abelhas. "Temos que ter a racionalidade para chegarmos a uma diretriz em que o animal fosse mais preservado. Infelizmente, as políticas públicas não existem para a apicultura", afirma o especialista.
A diretora da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas, acha que o caminho é incentivar as parcerias público-privadas para disseminar informações e dar treinamentos. "É muito importante o apoio à pesquisa e construir parcerias público-privadas e uma política centrada no diálogo e na coexistência", comenta.
(com Agência Senado)