
Ainda conforme o estudo, a realidade brasileira reproduz os padrões internacionais de mortalidade pela doença. A pesquisadora atribuiu a queda a vários fatores, que vão desde a melhoria das condições socioeconômicas até a adoção de programas desenvolvidos regionalmente, como o Criança que Chia, da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que ajudou a refrear as intervenções hospitalares e a promover a distribuição gratuita de medicamentos.
Rachel Pitchon destaca que 68% dos óbitos são de crianças de até cinco anos. Ainda que a pesquisa tenha caráter epidemiológico (não é possível associar a causa aos efeitos), a pediatra, respaldada pela literatura científica sobre o assunto, explica que a maior mortalidade nessa faixa se deve principalmente à fragilidade do corpo e à falta de acesso ao tratamento especializado.
A doença
A asma é uma doença respiratória crônica das vias aéreas inferiores, manifestando-se de diversas maneiras e com gravidades variáveis, sendo as mais comuns o chiado, a falta de ar, a tosse e a dor toráxica. Segundo Rachel Pitchon, a genética é importante fator de predisposição, pois filhos de asmáticos têm mais chances de desenvolver a doença. No entanto, outros fatores são mais contundentes para o agravamento da enfermidade: exposição à fumaça de cigarro, poluição e componentes alérgicos.
Aproximadamente, 20% das crianças brasileiras sofrem de asma. Segundo a pediatra, o tratamento deve ser feito de maneira continuada, e não apenas nos períodos de crise. "Isso é importante para conferir estabilidade ao quadro clínico e evitar a hospitalização", justifica Pitchon. A doença pode afetar a socialização e o rendimento escolar dos asmáticos. "A criança começa a faltar às aulas por conta das crises, e os pais faltam ao trabalho para cuidar dos filhos. É um processo que acaba se transformando em um ciclo", conclui.
(com portal da UFMG)