
"Nossos resultados sugerem que estamos longe de alcançar um tratamento centrado no paciente", diz Naykky Singh Ospina, principal autor do estudo, em comunicado divulgado na quinta, dia 19 de julho. Os pesquisadores analisaram 112 consultas médicas em clínicas não especializadas dos estados de Minnesota e Wisconsin, nos EUA.
A pesquisa, publicada no periódico científico Journal of General Internal Medicine, descobriu que os médicos gastam apenas 11 segundos, em média, ouvindo o paciente descrever as razões para a ida ao consultório antes de fazer uma interrupção. Foi levado em conta apenas o tempo que o profissional levou para interromper depois de dizer, inicialmente, algo como "O que posso fazer por você hoje?" ou "Diga o que o traz aqui hoje", permitindo que os pacientes definissem a "agenda" da conversa.
"Se feito respeitosamente e com a saúde do paciente em mente, interrupções no discurso do paciente podem esclarecer ou focar a conversa e, assim, beneficiar os pacientes. No entanto, parece improvável que uma interrupção, mesmo para esclarecer ou focar, possa ser benéfica no estágio inicial do encontro", alertam os cientistas, de acordo com citação publicada pela Newsweek.
O estudo constatou ainda que 67% dos pacientes foram interrompidos logo após responderem as perguntas "inaugurais" e apenas 36% dos médicos fizeram este tipo de questionamento, que convidava os pacientes a direcionarem o foco da conversa.
A média das consultas foi de 30 minutos, mas duravam mais quando os pacientes puderam explicar o motivo da visita logo no início da anamnese, em comparação com os que não tiveram essa oportunidade.
Os pesquisadores lembram que existem muitas razões para os médicos não permitirem que os pacientes falem, incluindo a falta de treinamento em comunicação; limitações de tempo; ou esgotamento do "prazo". Ainda assim, conforme o artigo científico, a expectativa é que estudos futuros revelem se a pemissão para o paciente falar por mais tempo pode afetar positivamente o resultado da consulta.