
Apesar da facilidade na aquisição desse tipo de medicamento, segundo o ginecologista, a prescrição, o aconselhamento e o acompanhamento médico é de suma importância. "Há diversos tipos de pílulas anticoncepcionais no mercado. Não existe uma única ideal, cada caso deve ser analisado para que a indicação seja correta", diz o especialista.
Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que 79% das mulheres no Brasil utilizam algum tipo de método anticoncepcional, como esterilização, camisinha, DIU e pílulas. Os comprimidos representam 24% do total mas, apesar de serem populares, grande parte do público feminino relata problemas após o uso. "Apesar das composições terem mudado, da dose estrogênica ter diminuído, os riscos de desenvolver doenças venosas, por exemplo, ainda existem", alerta Jan Pachnicki.
Justamente a trombose venosa profunda é a doença mais associada ao uso de pílulas anticoncepcionais. Caracterizada pela formação de coágulos de sangue em veias profundas, a trombose acontece, geralmente, em membros inferiores, como panturrilhas e coxas. De acordo com o médico, o sistema circulatório das pernas tem, naturalmente, maior dificuldade para transportar o sangue de volta para o coração (retorno venoso prejudicado) e o uso de contraceptivos contendo etinilestradiol pode potencializar o problema. "A piora do retorno venoso e lesões nos vasos de membros inferiores aumentam a chance da formação de um trombo pelo uso de alguns contraceptivos. Se os coágulos de sangue se soltam, há risco de pararem nos pulmões ou no cérebro, bloqueando o fluxo sanguíneo e levando à morte", explica o ginecologistra. Ele lembra ainda que, além do uso da pílula, histórico familiar de trombofilias, obesidade e uso de cigarro podem elevar ainda mais os riscos de trombose.
A estimativa dos especialistas é que cerca de 60% das predisposições ao grave problema circulatório sejam atribuídas a fatores genéticos. Por isso, o diagnóstico de predisposição à trombofilia pode ser realizado a partir de uma amostra simples de sangue, utilizando a metodologia chamada PCR em tempo real. Dessa forma, é possível determinar o risco do indivíduo em desenvolver a formação de trombos.