Luzia viveu há mais de 11 mil anos e é fundamental para se compreender como ocorreu a ocupaçãodo do continente americano.
No entanto, com a descoberta de Luzia, a teoria dos "clovistas" perdeu força, porque, na velocidade com que se deslocava naquela época, seria impossível para o homem chegar tão rapidamente à América do Sul, argumentam pesquisadores que se opõem a essa explicação. A existência do fóssil descobertos em Minas, diz esse grupo, sugere que o Homo sapiens atravessou o Estreito de Bering antes do povo Clóvis, há cerca de 14 mil ou 15 mil anos, e, com o tempo, migrou para o sul.
Entre os cientistas que mais colaboraram para o fortalecimento dessa segunda teoria está o biólogo, antropólogo e arqueólogo brasileiro Walter Neves, responsável por batizar Luzia, nome escolhido em referência ao australopiteco etíope Lucy, fóssil de humanoide mais antigo já encontrado no mundo. Segundo ele, Luzia e várias outras descobertas, como novos fósseis, objetos e artes rupestres descobertos no Brasil e no Chile, representam um duro golpe na teoria clovista.
Mulher de 20 anos
Estudos de datação de carbono apontaram que o fóssil abrigado no Museu Nacional era uma mulher que estava na faixa dos 20 anos quando morreu, tinha 1,5 m de altura e possuía traços negroides, com nariz largo e olhos arredondados. A reconstituição de seu rosto foi feita em 1999, por pesquisadores da Universidade de Manchester, da Inglaterra, que usaram como base o crânio.
O fóssil gerou ainda a denominação Povo de Luzia, em referência aos primeiros homens e mulheres que habitaram a região arqueológica de Lago Santa. Porém, atualmente, o grupo ao qual Luzia pertenceu foi apenas um dos vários que viveram no lugar em diferentes períodos, tendo como subsistência a caça de animais de pequeno e médio portes e a coleta dos recursos vegetais disponíveis na região..