
De acordo com o pesquisador Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, um dos autores do artigo, citado pelo Jornal da USP, o aumento da produção de aerossóis secundários na floresta é causado principalmente pelas altas emissões de óxidos de nitrogênio em Manaus. "A interação desses óxidos com radicais livres produz também altas concentrações de ozônio, um forte poluente fitotóxico, que afeta os estômatos das folhas e reduz a absorção de carbono da floresta amazônica", diz o cientista.
Na amazônia, a poluição de Manaus, levada pelos ventos, causou um aumento de 60% a 200% na produção de aerossóis, em alguns casos atingindo 400%. "Os mecanismos responsáveis por este aumento foram modelados e desvendados. O aumento da quantidade de aerossóis produzidos por oxidantes antropogênicos [gerados pela atividade humana], além de modificar as nuvens, também altera o modo com que a radiação solar chega ao solo", esclarece Paulo Artaxo ao jornal universitário.
Segundo ele, os aerossóis espalham a radiação direta e diminuem a quantidade de energia disponível para as plantas fazerem fotossíntese e absorverem carbono. "Ao mesmo tempo, há um aumento da radiação difusa, que penetra mais no interior da mata e favorece a fotossíntese, mas isso só ocorre até um certo nível de quantidade de aerossóis", completa o professor.
Em grandes quantidades, o bloqueio da radiação solar direta é maior e prejudica a fotossíntese da floresta, impedindo a fixação de carbono.
(com Jornal da USP)