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Poluição causada por microplástico chegou às profundezas da Terra

Cientistas encontram partículas de plástico na Fossa das Marianas


postado em 27/02/2019 15:48 / atualizado em 27/02/2019 16:30

(foto: Safety4sea/Reprodução)
(foto: Safety4sea/Reprodução)

Pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, encontraram microplástico em pequenos camarões vivendo em seis das regiões oceânicas mais profundas do planeta. O estudo foi publicado no periódico científico Royal Society Open Science nesta quarta, dia 27 de fevereiro. A informação foi divulgada pela emissora estatal alemã Deutsche Welle.

Os resultados servem de alerta porque, até então, acreditava-se que a poluição humana se limitava à superfície dos oceanos, afetando peixes, baleias, tartarugas e pássaros, por exemplo, mas os rejeitos já atingiram os locais mais inacessíveis da Terra.

Na Fossa das Marianas, que fica a leste das Filipinas, 100% dos animais estudados tinham fibras de plástico no trato digestivo. Para quem não sabe, esse é o local mais profundo dos oceanos terrestres, localizada a 11 km da superfície oceânica.

Entre todos os animais coletados nas seis regiões avaliadas pelos pesquisadores, 72% haviam ingerido ao menos uma micropartícula de plástico. "Parte de mim estava esperando encontrar alguma coisa, mas essa descoberta foi enorme", afirma Alan Jamieson, um dos autores do estudo, em conversa com a Deutsche Welle.

A equipe da Universidade de Newcastle descobriu que a contaminação nas profundezas dos oceanos é generalizada, tendo atingido tanto a Fossa do Peru-Chile, no sudeste do Pacífico, quanto a Fossa do Japão, distantes 15 mil km uma da outra.

"Está na região do Japão, da Nova Zelândia, do Peru, e cada fossa é extremamente profunda. O plástico é encontrado consistentemente em animais em todas as profundezas extraordinárias do Pacífico, então não vamos perder tempo em concluir: ele está em toda parte", comenta Jamieson.

Antes do estudo conduzido pela equipe britânica, o local mais profundo em que foram encontradas partículas de microplástico se localizava a 2,2 km da superfície do Atlântico Norte.

Os microplásticos, que medem entre 0,1 micrômetro e cinco milímetros, confundem os animais marinhos porque têm tamanho semelhante ao de pequenas presas ou partículas de comida, facilitando assim sua entrada na cadeia alimentar. Algumas partículas resultam de processos industriais e são diretamente liberadas nos oceanos por meio de esgotos ou rios. Outras se originam da decomposição de materiais plásticos de maiores dimensões.

Não está claro se as partículas encontradas pelos cientistas britânicos foram ingeridas por peixes em profundidades mais rasas que morreram e depois afundaram. Os pesquisadores acreditam, contudo, que as fibras de plástico possuem muitos anos de idade, podendo estar ligadas a roupas, como nylon.

(com Deutsche Welle)

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