
Entretanto, a ocupação só veio mesmo a partir dos anos 2000. O motivo era o vizinho Belvedere, que começava a ficar saturado. A partir de 2006 veio o boom. "O Vila da Serra passou a receber inúmeros empreendimentos", afirma o engenheiro. A principal avenida do bairro, a alameda Oscar Niemeyer, a antiga Seis Pistas, passou a fervilhar.
Mas esse crescimento todo não foi desordenado. Novos hospitais, escolas, prédios comerciais e residenciais, além de um corredor de lojas e restaurantes, brotaram para atender o mesmo perfil de moradores e visitantes: com alto poder aquisitivo. "As primeiras construções usavam terrenos de 4 mil metros quadrados, sendo que no Belvedere eram lotes bem menores, com 500 metros quadrados", diz Luiz. Como resultado, começaram a surgir prédios espaçosos e com grande área de lazer.

Em seu sexto mandato, o prefeito de Nova Lima, Vitor Penido, conhece bem o crescimento dos bairros. "Além do Biocor, a vinda dos hospitais Vila da Serra, Doutor Ricardo Guimarães e da faculdade Milton Campos consolidou a região e ajudou a trazer mais investidores", diz. Aos poucos, os bairros começaram a ser alvo de um problema recorrente nas grandes cidades: a mobilidade. Sobretudo nos horários de pico, transitar por ali é uma tarefa espinhosa. De acordo com Penido, a solução está sendo pensada em conjunto com o prefeito de BH, Alexandre Kalil. "Já iniciamos as conversas, pois entendemos que o problema não é apenas da nossa cidade", diz. Entre as possíveis soluções está o projeto chamado de Via Estruturante, que pretende ligar o centro de Nova Lima à rodovia BR-356, na altura do Anel Rodoviário. Seria utilizada a via férrea desativada Águas Claras.

Além da boa oferta de serviços e apesar do grande número de prédios, os moradores do Vila da Serra se dizem privilegiados pelo ar puro que vem da mata do vizinho Vale do Sereno, que acaba por se confundir com o Vila da Serra. É até complicado encontrar alguém que saiba quais são os limites entre um e outro. A administradora de empresas Márcia Aparecida Moura mora no Vale do Sereno e garante que, apesar da região adensada, ainda é possível aproveitar o clima vindo da natureza. "Viver próximo à mata e a poucos minutos do comércio é raro hoje em dia", diz.
E a Torre?

Ela foi criada para ser um centro de entretenimento, abrigando 72 lojas, mas a previsão não se concretizou. O prédio já chegou a ser ocupado pela Hard Rock Café, mas a casa de shows fechou as portas em 2014, diante do fraco movimento. O restaurante japonês Hoshi, inaugurado em 2007, também não resistiu. Atualmente, o movimento no prédio é gerado por aproximadamente mil funcionários da empresa de consultoria Accenture, que funciona no terceiro andar desde 2014. O salão de festas, no quarto andar, ainda está aberto a locações. Procurados pela reportagem, a administração e os proprietários do empreendimento não quiseram dar entrevistas.