
O estudo sobre o QI conduzido pelo neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França, foi mais um grito entre as vozes que alertam sobre os efeitos da superexposição. A pesquisa de Desmurget foi publicada em um livro com título agressivo: A Fábrica de Cretinos Digitais. Para o neurocientista, essa é a primeira vez na história que o QI de crianças e adolescentes é menor do que o da geração anterior. Os pequenos de hoje serão menos inteligentes que seus pais. E o que estaria afetando o desenvolvimento do cérebro seriam os equipamentos digitais. Estaríamos caminhando para uma parada ou um atraso na evolução do QI? As telas participam de forma ativa nesse resultado? Segundo Rodrigo Carneiro, não é possível ir tão longe nas conclusões, mas o estudo francês "é um alerta grande e de valor". Mesmo que sejam necessárias mais pesquisas em outras culturas, adequando os testes às transformações das crianças, que são muito rápidas e dinâmicas, o estudo, para o neurologista, chama atenção de modo importante para os riscos a que as crianças estão expostas.


Especialista em parentalidade positiva e consciente, Fernanda Teles também traz para os pais a responsabilidade exclusiva do uso adequado da tecnologia. Ela diz que é necessário desenvolver uma cultura familiar e que a educação das crianças passa pela conscientização dos adultos. "Ninguém disse que seria fácil ser mãe e ser pai." Para as crianças, ela costuma explicar os riscos do excesso dos jogos e entretenimento digital contando histórias. "A potência da criança está na imaginação e na criatividade", diz Fernanda. "Quando ela é retirada desse mundo e fica presa por muito tempo às telas, é como se tivesse sido raptada para um lugar de alienação que impede o desenvolvimento de suas habilidades cerebrais, de sua inteligência." Fernanda diz que antídotos importantes para o efeito negativo são os combinados, o relacionamento da família e de novo os esportes. Não é fácil, mas é possível. Vale a pena começar. Ainda que um pouco de cada vez.